sexta-feira, 20 de março de 2015

RESPOSTAS DO ESBOÇO - ESTUDO CARTA AOS HEBREUS



RESPOSTAS DO ESBOÇO – ESTUDO DA EPÍSTOLA AOS HEBREUS

1. Tema: Embora tenha valor permanente e aplicação contínua para todos os cristãos de todas as épocas, a carta aos Hebreus foi escrita, como indica o nome, particularmente aos judeus cristãos. A leitura da carta revela que a maior parte dos hebreus cristãos, a quem o autor se dirige, estava em perigo de afastar-se da fé. O autor, inicialmente, expõe a superioridade de Jesus Cristo sobre todos os mediadores do Antigo Testamento e a primazia da nova aliança sobre a antiga, como a da substância sobre a sombra, do antítipo sobre o tipo e da realidade sobre o símbolo. O tema da carta pode resumir-se da seguinte maneira: a religião de Jesus Cristo é superior ao judaísmo porque tem uma aliança melhor, um sumo sacerdote melhor, um sacrifício e um tabernáculo melhores. Ou seja, a nova aliança em Cristo Jesus é mais eficaz que qualquer outra aliança.

2. Autor: O autor da carta aos Hebreus é desconhecido. Sua autoria é muito discutida. Por causa da diferença de estilo, comparado com os outros escritos de Paulo, muitos estudiosos ortodoxos negam que foi ele quem a escreveu. Tertuliano, no século III, declarou que Barnabé foi o autor. Lutero sugeriu que fosse Apolo. Há estudiosos que atribuem sua autoria a Lucas. Independentemente de quem seja o autor, ele preferiu citar referências do Antigo Testamento a partir do texto grego (Septuaginta), e não do texto hebraico. Até a igreja primitiva expressou diferentes opiniões a respeito da autoria, e a erudição contemporânea admite que o enigma ainda não tem solução. Portanto, parece ser melhor declarar o anonimato da epístola, em última análise, seu autor é o Espírito Santo (2 Pedro 1.21), pois incontestável é sua inspiração divina.

3. Propósito: Os judeus convertidos ao cristianismo estavam em perigo constante de voltar ao judaísmo, ou pelo menos de darem muita importância às observâncias cerimoniais. O principal propósito do escritor era o de mostrar a glória transcendente da era cristã em comparação com a do Antigo Testamento. Seu objetivo era impedir a apostasia dos judeus cristãos que tinham a intenção de voltar ao judaísmo.

4. Quando e Local: O uso do tempo presente em 5.1-4; 7.21, 23,27-28; 8.3-5,13; 9.6-9,13,25; 10.1,3-4,8,11; 13.10-11 poderia sugerir que o sacerdócio levítico e o sistema de sacrifícios ainda estavam em funcionamento quando a epístola foi composta. Uma vez que o templo foi destruído pelo general (mais tarde imperador) Tito Vespasiano no ano 70 d. C., a epístola deve ter sido escrita antes desta data. Além disso, pode-se observar que Timóteo acabava de ser libertado da prisão (13.23) e que a perseguição estava se tornando severa (10.32-39; 12.4; 13.3). Esses detalhes sugerem uma data para a epístola em torno de 67-69 d.C. A única evidência em relação ao local em que foi escrita é a saudação enviada aos “da Itália” (13.24), indicando talvez que o autor estivesse em Roma...

5. Conteúdo: I) A superioridade de Jesus em relação aos mediadores e líderes do Antigo Testamento (1.1-8.6); II) A superioridade da nova aliança em relação à antiga (8.7-10.18); III) Exortações e Advertências (10.19-13.25).

5.1. Características e particularidades:
Oito características podem ser destacadas nessa carta: 1) No Novo Testamento é único quanto à estrutura: “começa como tratado, desenvolve-se como sermão e termina como carta” (Orígenes); 2) É o texto mais refinado do Novo Testamento, abeirando-se ao estilo do grego clássico, mais do que qualquer outro escritor do NT (com exceção, quiçá, de Lucas, em Lc 1.1-4); 3) É o único escrito do NT que desenvolve o conceito do ministério sumo sacerdotal de Jesus. 4) A Cristologia do livro é ricamente variada, apresentando mais de vinte nomes e títulos de Jesus; 5) Sua palavra-chave é “melhor” (13 vezes). Jesus é superior aos anjos e a todos os mediadores do AT. Ele provê melhor repouso, concerto, esperança, sacerdócio, expiação pelo sacrifício vicário e promessas; 6) Contém o principal capítulo do NT a respeito da fé (cap. 11); 7) Está repleto de referências e alusões ao AT que oferecem um rico conhecimento da interpretação cristã primitiva da história e da adoração no AT, mormente no campo da tipologia; 8) Adverte, mais do que qualquer outro escrito do NT contra os perigos da apostasia espiritual.

6. Quais as ênfases feitas sobre a superioridade de Jesus e as exortações mencionadas?
A carta aos hebreus dá ênfase à superioridade de Jesus em relação aos mediadores e líderes do Antigo Testamento (1.1-8.6):

1) Jesus é superior aos profetas porque: a) em épocas passadas, as revelações de Deus aos profetas foram parciais, dadas em épocas diferentes e de diversas maneiras (v.1); b) mas, nesta dispensação, Deus deu uma revelação perfeita por meio de seu Filho (vs 2,3);

2) Jesus é superior aos anjos (1.4-14), pelo seguintes motivos: a) nenhum anjo individualmente foi chamado Filho (v.5); b) o Filho é o objeto da adoração dos anjos (v.6); c) enquanto os anjos servem, o Filho reina (vs. 7-9); d) o Filho não é uma criatura, e sim, o Criador (vs. 10-12); e) a nenhum anjo foi prometida autoridade universal, porque eles devem servir (vs. 13,14).

OBS.: Jesus foi exaltado acima dos anjos. Por que foi feito menor do que eles (2.5-18)? Pelos seguintes motivos: a) para que a natureza humana pudesse ser glorificada e para que o homem pudesse tomar o seu lugar outorgado por Deus como governador do mundo que virá (vs. 5-8); b) para que pudesse cumprir o plano de Deus e morresse por todos os homens (v.9); c) para que o Salvador e os salvos pudessem estar unidos (vs. 11-15); d) para que pudesse cumprir todas as condições de um sacerdote fiel (2.16-18).

EXORTAÇÕES REFERENTES: (2.1-4) – Se a desobediência à palavra dos anjos trouxe castigo, qual será a perda se a salvação anunciada pelo Senhor for negligenciada?

3) Jesus é maior do que Moisés (3.1-6), porque: a) Moisés foi apenas parte da casa de Deus; Jesus é o construtor dela (vs. 2,3); b) Moisés foi apenas servo; Jesus é o Filho (vs. 5,6).

EXORTAÇÕES REFERENTES: (3.1-6; 3.7-4.5) – O cristão é membro de uma casa espiritual presidida pelo Filho de Deus. Mais que ele cuide de não perder o privilégio de entrar na terra prometida – como muitos israelitas o fizeram – por causa de sua infidelidade e desobediência. Embora esses israelitas tivessem experimentado a salvação de Deus no mar Vermelho, não entraram em Canaã. O pecado que os excluiu foi o da incredulidade -, o qual, se não for evitado, excluirá o cristão judeu dos privilégios de sua herança.

4) Jesus é maior do que Josué (4.6-13), porque: a) Josué conduziu os israelitas ao descanso em Canaã, que era somente um símbolo do descanso espiritual ao qual Jesus conduz os fiéis (vs. 6-10).

EXORTAÇÃO REFERENTE: vs 11-13.

7. Por que Jesus é nosso sumo sacerdote?
4.14-5.10 – O sacerdócio de Jesus (v.14). Os cristãos devem conservar a fé que possuem, porque não estão sem um sacerdote fiel, como seus irmãos não cristãos talvez queiram sugerir-lhes. Embora invisível esse sumo sacerdote intercede sempre por eles. As qualidades de Jesus como sacerdote são: a) pode compadecer-se da fraqueza humana (4.14-5.1-3,7-9), porque ele mesmo, como os homens, sofreu a tentação e suportou o sofrimento, mas com esta diferença: não pecou; b) foi chamado por Deus como fora Arão (5.4-6,10). 

8. Nos capítulos 5 e 6 o autor da epístola aos hebreus interrompe o fio de seu pensamento para proferir palavras de repreensão, exortação, advertência e estímulo, identifique-as:
a) Repreensão (5.11-14) – Ele apresenta um tema profundamente simbólico, a respeito de Melquisedeque, mas teme que a falta de maturidade espiritual deles torne difícil a explicação.

b) Exortação (6.1-3) – Eles devem superar o estado elementar da doutrina cristã e alcançar o conhecimento maduro. A expressão “ensinos elementares a respeito de Cristo” pode-se referir-se às doutrinas fundamentais do cristianismo nas quais os convertidos eram instruídos antes do batismo.

c) Advertência (6.6-8) – O aviso contido nesses versículos dirige-se contra a apostasia, que é a rejeição voluntária das verdades do Evangelho por aqueles que já tinham experimentado seu poder. Compreenderemos melhor a verdadeira natureza do pecado mencionado aqui ao lembrarmos a quem ele se dirige e qual a relação especial entre a nação judaica e Cristo. Os judeus da época do autor dividem-se em dois grupos: 1) aqueles que o aceitaram como Filho de Deus e; 2) aqueles que o rejeitaram, considerando-o impostor e blasfemo. O judeu cristão que deixasse o cristianismo e voltasse ao judaísmo atestaria por essa atitude que Cristo, em sua opinião, não é o Filho de Deus, mas um falso profeta que mereceu a crucificação, e assim ficaria ao lado dos responsáveis pela sua morte. Antes da conversão, o mesmo judeu cristão participava, em determinado sentido, da culpa da nação em crucificar Cristo. Abandoná-lo e voltar ao judaísmo seria rejeitar o Filho de Deus pela segunda vez.

d) Estímulo (vs. 9-20) – Apesar da advertência anterior, o autor tem confiança em que os cristãos não se afastarão da fé (v. 9). Eram sinceros no desempenho das boas obras (v.10); deseja que mostrem a mesma sinceridade para alcançar a esperança de sua herança espiritual (v.11). Nisso serão seguidores daqueles que, por meio da fé e perseverança, alcançaram a realização de sua esperança – Abraão, por exemplo (vs. 12,13). A esperança do cristão é segura, uma âncora para a alma que a segura firmemente num porto celestial (vs. 19 e 20). É uma esperança certa, por ser baseada em dois fatos imutáveis: a promessa e o juramento de Deus (vs. 13-18).

9. Qual relação é feita sobre Melquisedeque e Cristo (7.1 – 8.6)?
Melquisedeque é citado como símbolo de Cristo. O autor usa um estilo judaico de ilustração. Toma um fato espiritual e demonstra seu valor típico. Melquisedeque é símbolo de Cristo nas seguintes formas: 1) devido o significado do seu nome: “rei de paz” (v.2); b) seu sacerdócio não era hereditário. Exigia-se que os sacerdotes judaicos provassem sua genealogia antes de serem admitidos ao ofício (Ed 2.61-63). Embora sendo sacerdote, não há registro da genealogia de Melquisedeque; é isso que se refere a expressão: “sem pai, sem mãe” (v.3). Nesse sentido, a falta de genealogia sacerdotal é símbolo (7.14); c) não haver registro do nascimento nem da morte é característica da natureza eterna do sacerdócio de Cristo. A isso se refere a expressão: “sem princípio de dias e nem fim de vida” (v. 3).

10. O sacerdócio de Cristo, simbolizado por Melquisedeque, é superior ao de Arão. Quais fatos provam essa afirmativa?
Sim, é superior ao de Arão. Provado pelos seguintes fatos: a) Levi nem tinha sido gerado ainda quando pagou os dízimos a Melquisedeque por meio de Abraão (7.4-10); b) a maturidade espiritual não era atingível pelo sacerdócio de Arão e pela aliança da qual era mediador. Isso é atestado pelo fato de ter surgido outra ordem de sacerdócio, a de Melquisedeque. Essa alteração de sacerdócio implica alteração da Lei. A alteração foi efetuada por causa da incapacidade da Lei de Moisés de proporcionar maturidade espiritual (Rm 8.1-4); c) ao contrário do sacerdócio de Arão, o sacerdócio de Melquisedeque foi instituído com um juramento (v. 20-22). Um juramento de Deus, acompanhando qualquer declaração, é prova de imutabilidade; d) o ministério dos sacerdotes da ordem de Arão terminava com a morte; mas Cristo tem um sacerdócio eterno e imutável, porque ele vive para sempre (vs 23-25); e) os sacerdotes de Arão ofereciam sacrifícios todos os dias. Cristo ofereceu um sacrifício eternamente eficaz (7.26-28); f) os sacerdotes de Arão serviam num tabernáculo que era apenas o símbolo terrestre do tabernáculo em que Cristo ministra (8.1-5); g) Cristo é o mediador de uma aliança melhor (8.6).

11. Qual aliança é superior: a nova ou a antiga? Justifique (8.7-10.18)
A nova aliança é superior. Porque se manifesta das seguintes maneiras: a) a antiga aliança foi provisória apenas (8.7-13). Esse fato é atestado pelas Escrituras do AT, que ensinam que Deus fará uma nova aliança com o seu povo; b) os rituais e o santuário da antiga aliança eram simples tipos e sombras que não proporcionavam a união perfeita com Deus (9.1-10); c) mas Cristo, o verdadeiro sacerdote do santuário celestial, por meio de um sacrifício perfeito – de sua própria pessoa –, proveu redenção eterna e perfeita comunhão com Deus (vs. 11-15); d) a nova aliança foi selada com sangue melhor do que o dos bezerros e dos bodes – o sangue de Jesus (vs. 16-24); e) o único sacrifício da nova aliança é melhor do que os inumeráveis da antiga (9.25-10.18).

12. Quais exortações práticas o autor traça nos capítulos 10.19 – 13.25?
a) exortações à fidelidade e constância (10.19-25) pelo fato de eles terem acesso seguro a Deus por meio de um sumo sacerdote fiel (Jesus);

b) advertência contra a apostasia (vs. 26-31; cp. 6.4-8). Rejeitar Cristo, consciente e voluntariamente, significa repelir o sacrifício que os protege contra a terrível indignação de Deus...

c) exortação à perseverança diante da recompensa prometida (vs. 32-36);

d) exortação a caminhar pela fé (10.37-12.1-4);

e) exortação à obediência escrupulosa por causa da vocação celeste (12.18-24) e do líder divino (vs. 25-29);

f) exortações para uma vida santificada (vs. 1-7);

g) exortações para uma vida firme (vs. 8,9);

h) exortações para uma vida separada (vs. 10-16);

i) exortações para uma vida de submissão (v.17);

13. Quais considerações são feitas em relação à fé? Destaque sua importância na vida dos exemplos citados pelo autor e para sua vida. (cap. 11).
A fé leva o cristão a confiar em que os objetos de sua esperança são reais e não imaginários. Manifesta-se, como mostra o caso dos santos do AT, por meio da obediência irrestrita e confiança em Deus, apesar das aparências e circunstâncias adversas (11.1-3). A fé conquista por meio de Deus (11.32-36) e sofre por Deus (11.37-40). Sem fé não agradamos a Deus!

14. Comente sobre o “atletismo espiritual” em nossa carreira cristã?
Assim como um atleta se prepara para um prêmio, nós também, como atletas de Cristo corremos para um alvo, a diferença que nosso prêmio é incorruptível e eterno. No atletismo espiritual a Palavra de Deus nos instrui quanto à concorrência, preparação e como correr (12.1); recomenda a vitória com os olhos postos no Mestre (12.2); dá-nos a inspiração quando estamos cansados (12.3-4); mostra o valor do sofrimento e da disciplina na instrução (12.5-10); os bons resultados do sofrimento e da disciplina (2.11) e o apelo ao vigor e à retidão (12.12-13).

15. Sobre qual aspecto o autor faz referência a Deus como Pai?
Quando nos disciplina e corrige. Ele assim o faz exatamente porque somos seus filhos e nos trata como tal.  (12.5-11)

16. Cite as citações do antigo testamento na epístola aos hebreus:
Um aspecto significativo da epístola é a sua clara exposição de passagens selecionadas do Antigo Testamento. O escritor claramente era um hábil expositor da Palavra de Deus. As exposições de passagens do AT são as seguintes:

. 1.1-2.4 – Exposição de versículos de Salmos; 2 Sm 7 e Dt 32.
. 2.5-18 – Exposição do Sl 8.4-6
. 3.1-4.13 – Exposição do Sl 95.7-11
. 4.14-7.28 – Exposição do Sl 110.4
. 8.1-10.18 – Exposição de Jr 31.31-34
. 10.32-12.3 – Exposição de Hc 2.3-4
. 12.4-13 – Exposição de Pv 3.11-12
. 12.18-29 – Exposição de Êx 19-20

17. Aponte as aplicações para sua vida que você extraiu da carta aos hebreus?
Resposta pessoal.

18. Suas considerações sobre o estudo.
Resposta pessoal. 

Consultas: Bíblias em várias versões: BEM – SBB; BEP – Revista e Corrigida (CPAD); BT - Contemporânea (VIDA); BEPL – Revista e Corrigida (SBB); BPC (CPAD). PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia livro por livro (VIDA). 

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