quarta-feira, 2 de julho de 2014

Pai(s) & Filho(s) – a Comunicação!



Pai(s) & Filho(s) – a Comunicação!

“Seu pai jamais o havia contrariado, dizendo: Por que fizeste assim?” (1 Reis 1:6a)

Sabemos o quanto a comunicação tem sido prejudicada mesmo diante de tanta facilidade para interação, já é lugar comum dizer que a tecnologia aproximou os que estavam longe e distanciou os de perto, de certo modo ocorre sim. O ponto central é refletirmos como temos lidado com relação a essa questão, nos conformamos ou não com essa ideia de distanciamento como natural?

Nesses dias algo me chamou bastante atenção e por isso escrevo agora refletindo a respeito do assunto. Certo pai relatou como “resolvia” os problemas com seu filho adolescente: quando ele discordava de alguma coisa que seu filho fazia ou falava, ele simplesmente passava a ignorar totalmente seu filho, agindo assim, ele achava que seu filho iria "se tocar" e mudar de atitude ou opinião. Infelizmente essa não é uma alternativa saudável de resolver pendências nos relacionamentos com os filhos (aliás, com ninguém) e pior ainda para educá-los e discipliná-los.  Seu filho jamais se voltou para ele pedindo perdão e nunca mudou suas atitudes, pelo contrário, com o tempo, aparentemente esquecida a situação vivida, ambos passavam a agir "normalmente", no entanto, com uma sutil e imperceptível diferença: uma distância invisível entre ambos se alargava cada vez mais, exatamente porque o caminho certo para resolver problemas nos relacionamentos não é deixar o tempo passar, nem com indiferença, nem mesmo fingindo que nada aconteceu. Relacionamentos saudáveis precisam de diálogos francos e honestos, para isso é preciso coragem para enfrentar a situação, desarmado de qualquer sentimento negativo, buscando o que for melhor para continuar a andar juntos e, claro, o amor é o motivador de tudo! Filhos não aprendem através da indiferença, do abandono, do descaso e negligência. Não existe disciplina sem instrução, sem aplicação, e estas são impossíveis sem diálogo.

Dentre outros, um aspecto é imprescindível para a educação dos filhos: é a comunicação. Se as vias da comunicação são bloqueadas e de alguma maneira interrompidas, a educação do filho será prejudicada e até mesmo impossível de acontecer.  Infelizmente, desde a infância, os filhos estão sendo bombardeados por influências tendenciosas à rebeldia principalmente contra os pais. Isso se acentua na adolescência, devido à tendência natural da fase, em se buscar sua identidade e independência de modo equivocados, além da famosa “onipotência” teen.

Por que é tão difícil para alguns pais dialogarem com seus filhos? Há pais que para comunicarem algo aos filhos utilizam as mães ou outras pessoas como intermediárias ou canais, porque eles mesmos não conseguem falar abertamente com seus filhos, a não ser por questões meramente cotidianas. Se desde a infância os pais não exercitam e nutrem a comunicação saudável com os filhos, mais dificilmente conseguirão na adolescência.

Paciência e amor são ingredientes indispensáveis em todo o processo de educação dos filhos. É preciso percebê-los, conhecer a personalidade de cada filho, e ser amigo para todas as horas. Quando um pai chega para o filho e comunica-se com ele em ampla liberdade e respeito isso traz segurança ao filho e reforça o relacionamento entre eles. 

Quando o pai ignora o filho e chega até mesmo a se intrigar com ele, demonstra imaturidade e insegurança, isso pode até mesmo levar os filhos à ira (Ef 6:4). Exatamente! Essa negligência leva os filhos a irar-se com os pais!

É preciso acrescentar no relacionamento com os filhos o amor que ensina e não apenas o amor dadivoso. O amor que ensina contraria muitas vezes! Na Bíblia vemos algo relacionado, em 1 Reis 1:6 diz que Davi jamais contrariou seu filho Adonias, a palavra contrariar em sua raiz primitiva remete à palavra esculpir, isto é, fabricar ou moldar, arrancar, fazer entristecer etc. Esse termo tem dois sentidos, o primeiro sentido remete à dor física (Ec 10:9) ou emocional(1 Sm 20:34), ou a combinação de ambas (1 Cr 4:10). É também usado para falta de reação de Davi, quando Adonias tentou usurpar-lhe o trono (1 Rs 1:6). O segundo sentido da palavra geralmente se refere à atividade criativa. Em ambas as passagens, o vocábulo ocorre em paralelo com a palavra que significa fabricar ou fazer.

Contrariar é dizer não quando for preciso, é impor limites, é estabelecer regras que devem ser obedecidas, é disciplinar com criatividade, é dizer abertamente que não gostou e porque não gostou de sua atitude. Isso vai moldar, esculpir o caráter do filho e aperfeiçoar o relacionamento também. Contrariar causa dor, e isso também será benéfico no processo de educação dos filhos. A indiferença não molda, não edifica, não é disciplina e leva a perda da autoridade paterna. Em Hebreus 12:5-11 diz que Deus disciplina o filho a quem ama, que nos exorta e corrige, diz que a disciplina em seu primeiro momento causa tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça no qual somos exercitados nela. Exortação aqui tem o sentido de instrução, ensinamento, particularmente o ensinamento que encoraja, também se refere a consolo, conforto e ânimo. Veja nisso um exercício o qual remete a ação e não a omissão, que produz um fruto pacífico de justiça, ou seja, leva a equidade de caráter e de atos. O filho precisa entender que é amado e exatamente por isso está sendo contrariado e disciplinado para moldá-lo e prepará-lo para a vida. Em muitas situações, um bom diálogo entre pai e filho pode ser suficiente para encorajá-lo a fazer o que é correto.

Essa temática me trouxe grande preocupação, ignorar os filhos ao invés de educá-los, negligenciar a correção e a disciplina na admoestação do Senhor, evitar o confronto produtivo por parte do pai é extremamente maléfico para educação dos filhos; a comunicação equilibrada e madura direcionada pelo pai é imprescindível para que seu filho cresça com o caráter saudável e em maturidade, pais marcam pelos seus exemplos, a indiferença como lição fará com que os filhos reflitam fugindo das responsabilidades, sendo incomunicáveis e até irreconciliáveis. Sem saber como lidar com maturidade quando contrariados e diante dos problemas que lhes afligem.

Se você como pai ou você mãe, tem dificuldade para se comunicar com seus filhos, ore ao Senhor a respeito, esforça-te por amor a seus filhos, saiba que a comunicação é essencial para a relação de vocês, não diga que não consegue, que não pode, faça pelos seus filhos, você é adulto e deve ter um comportamento diferenciado com responsabilidade diante de Deus para com sua família. Conquiste a confiança de seu filho, aproxime-o e não o afaste de você. O amor é paciente e não desiste (1 Co 13). Deus o abençoe nesse exercício e conquista!

Veja mais a respeito em "Filhos, a importância do diálogo"! Texto aqui

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